quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Cine Terror na Praia


Já está chegando o CineTerror na Praia, uma mostra de filmes de terror, no paradisiaco litoral de Guarapari. Com objetivo de promover o encontro entre os variados públicos.

A iniciativa nasceu da paixão pelo segmento, a demanda por eventos do gênero e, principalmente, a possibilidade de espaço para filmes que estão circulando em Festivais, Internet e entre os fãs.
A sala de cinema não está preparada para as produções independentes, CineTerror na Praia é a oportunidade, talvez única, de o público capixaba conhecer essas sangrentas
maravilhas.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lançamento Mangue Negro em DVD!!!!


Tenho o imenso prazer de anunciar em primeira-mão o lançamento oficial em DVD do filme Mangue Negro (2008), dirigido pelo capixaba Rodrigo Aragão. O filme é uma deliciosa e sangrenta comédia de zumbis, no estilo ultrajante de mestres do horror moderno como Sam Raimi e Peter Jackson, e já rodou o mundo conquistando prêmios e elogios da crítica especializada. Mangue Negro chega em DVD no dia 1º de fevereiro pelo redivivo selo Dark Side/London Films numa edição luxuosa. O lançamento terá direito a luva especial e dois discos cheio de extras, incluindo entrevistas, bastidores e os curtas anteriores dirigidos pelo Rodrigo, os cultuados Chupa Cabras (sucesso absoluto no YouTube) e Peixe Podre 1 e 2.

Fica o convite a todos os entusiastas de filmes de horror e do cinema brasileiro em geral a prestigiar o trabalho do Rodrigo comprando o DVD - que custará apenas R$ 29,90 em lojas como Americanas, Extra e Walmart - não apenas porque o Rodrigo é gente boa e merece todo o apoio, mas principalmente porque o filme é muito bacana e está recebendo um tratamento cuidadoso que poucos títulos brasileiros têm quando chegam ao DVD.

Autor: Carlos Primati

Carlos Primati é Jornalista, crítico, historiador e pesquisador dedicado a tudo que se refere ao cinema de horror mundial, publicou artigos em livros sobre a obra do cineasta José Mojica Marins (Zé do Caixão) e sobre o Horror no Cinema Brasileiro. Criou e editou por algum tempo a revista Cine Monstro e acredita que algum dia lançará uma monumental enciclopédia sobre o gênero!
Mais dele no blog : cine-montro.blogspot.com

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mangue Negro no Site Boca do Inferno - Texto de Felipe Guerra

Sem delongas e sem muita enrolação, MANGUE NEGRO, filme de zumbis orgulhosamente 100% nacional, é o novo clássico dos clássicos do cinema independente brasileiro. Em outras palavras, é o filme que todo cineasta independente quer fazer quando crescer, e lançou um novo patamar de qualidade para o horror nacional moderno.
Escrito e dirigido pelo gente-fina Rodrigo Aragão, que também é técnico em efeitos especiais e assina as bizarras criatura e mutilações do filme, MANGUE NEGRO recria alguns dos melhores momentos de filmes como "Fome Animal", "Evil Dead" e as produções de mortos-vivos de George A. Romero, porém agora num cenário tipicamente brasileiro - um mangue no interior do Espírito Santo -, e com personagens tipicamente brasileiros nos papéis principais e secundários.
Esta, acredito, é a grande qualidade e principal virtude do filme do Aragão: seus personagens são gente comum como uma velha benzedeira e um catador de caranguejos, personagens que não vemos nos filmes de terror "normais" e nem nas imitações destes que alguns cineasta tupiniquis, independentes ou não, costumam lançar volta-e-meia.
Como todo bom filme de mortos-vivos que se preze, MANGUE NEGRO mostra uma contaminação zumbi que se espalha pelo mangue, transformando pescadores de uma comunidade pobre em monstros devoradores de carne humana. Parece simples, mas a história se desenvolve através de várias linhas narrativas, acompanhando paralelamente as situações envolvendo diferentes personagens, como se o espectador estivesse testemunhando episódios dentro de uma trama maior. Finalmente, estes personagens e episódios se cruzam, e todos passam a lutar juntos pela sobrevivência - uma possibilidade cada vez mais distante.
O fio condutor da narrativa é o amor platônico entre Luís (Walderrama dos Santos, impagável no papel de herói pateta, uma versão brazuca do Ash da trilogia "Evil Dead") e a lavadeira Raquel (vivida pela bonita Kika de Oliveira). Luís é apaixonado pela moça, mas, tímido, não tem coragem de se declarar; para piorar, sempre que tenta fazê-lo, algo de terrível acontece e impede o rapaz de expressar seu amor.
Felizmente, os zumbis do mangue e a contaminação que se espalha dão uma mãozinha ao nosso herói, já que ele e Raquel acabam muito próximos quando Luís começa a dizimar os zumbis com sua machadinha para proteger a amada.
Repleto de gosma e com banhos de sangue (literalmente) no protagonista, novamente no melhor estilo dos já citados "Evil Dead" e "Fome Animal", MANGUE NEGRO conta ainda com maquiagens e efeitos especiais de primeira linha (surpreendentes, considerando que não há nenhum grande estúdio por trás bancando a produção). E são estes efeitos muito bem realizados que colocam o filme um passo acima de muita coisa "profissional" feita no país: é coisa fina mesmo, digna dos melhores momentos do gênero, com cenas de carnificina brilhantemente sublinhadas pela belíssima trilha sonora original da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo.
Se MANGUE NEGRO tem um defeito, este é uma quebra no ritmo no ato final, quando uma cena na casa de Dona Benedita (a tal benzedeira, que ironicamente é interpretada por um homem, André Lobo) se arrasta muito mais do que deveria, retardando os ataques de zumbis. Mas é um problema que se esquece facilmente quando o sangue volta a jorrar.
E, para fechar com chave de ouro, o filme termina de forma fantástica, na hora certa, comprovando que Aragão, além de mestre dos efeitos especiais, também sabe direitinho como contar uma história!
Em uma única palavra: IMPERDÍVEL. O filme já havia sido exibido no Fantaspoa de 2008, dentro da programação daquele ano, inclusive com a presença do diretor Aragão, mas volta ao festival depois de passar, muito elogiado, em outros eventos do Brasil (mais recentemente no SP Terror, em São Paulo) e no exterior. Uma trajetória de sucesso merecida para um ótimo trabalho de um cineasta promissor no cenário do moderno cinema fantástico brasileiro.


Voltamos de Porto Alegre, mais um ano de FantasPOA, o 2° nosso, o 5° na "vida" deste maravilhoso festival, cheio de gente legal, entre elas este cara tão "querido" que é o Felipe Guerra, fizemos zumbis, curtas e exorcismos, e nos divertimos muito...
E bem, obrigado mais uma vez ao Felipe Guerra, por estar sempre dando força pra gente e, lógico, por esse texto tão legal que publicou no site Boca do Inferno.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

E Na revista Zingu!...

Revista Zingu! #31 Maio 2009

Mangue Negro
Direção: Rodrigo Aragão
Brasil, 2008.


Por Marcelo Carrard


Das profundezas da região pantanosa do Espírito Santo surge um respiro, um motivo de orgulho e de esperança em meio ao deserto de burocráticas e envernizadas produções, que tem dominado a produção audiovisual brasileira. Do barro do mangue capixaba, foi moldado, pelas mãos do talentoso Rodrigo Aragão, uma das obras mais importantes e criativas dos últimos anos: Mangue Negro, que além de possuir inúmeras qualidades, acabou se tornando o primeiro longa-metragem sobre zumbis feito no Brasil, por uma equipe totalmente brasileira, com efeitos de maquiagem e até com animatrônicos feitos totalmente de modo artesanal, no melhor estilo Gianneto de Rossi, maquiador dos filmes de Lucio Fulci. Um dos poucos recursos digitais usados no filme é um recorte da cabana, cenário principal da ação, para ser inserida dentro do cenário do mangue.

A maior qualidade de Mangue Negro é que ele conseguiu se tornar um filme de horror, genuinamente brasileiro. Aragão conseguiu entremear bem universalidade dos clássicos filmes sobre mortos vivos, com elementos específicos da cultura regional capixaba. A trama coloca em cena um grupo de pescadores e moradores do mangue, que aos poucos percebem que tudo em sua volta está morrendo, se decompondo para se tornar uma ameaça ainda maior, configurada nas figuras dos zumbis carniceiros que se movem pelos cenários naturais do mangue, que colabora para a criação de uma atmosfera única. Fã confesso de Evil Dead – A Morte do Demônio, de Sam Raimi, e de Fome Animal, de Peter Jackson, Rodrigo Aragão procurou imprimir seu estilo próprio, em uma obra audiovisual que consumiu três anos de trabalho de toda a equipe, sem apoios governamentais - aliás, esse projeto jamais seria aprovado pelos anódinos pareceristas da Petrobrás, e seus similares.No quesito diversão, Mangue Negro não decepciona os fãs. Com bons momentos do gore e efeitos especiais eficientes, tem uma montagem de ritmo cada vez mais alucinado, que diminui brevemente para a entrada em cena da Preta Velha – uma surpresa inesperada. Outra qualidade do filme é sua fácil comunicação com o público, que lhe rendeu o Prêmio do Júri Popular no Festival Rojo Sangre de Buenos Aires em 2008. Colocar Mangue Negro em um conjunto de obras pertencentes ao denominado Cinema de Bordas é algo complicado, mesmo sendo uma produção totalmente independente. Em termos de finalização técnica, o filme tem qualidades que o colocam ao lado de produções com grandes orçamentos, tornando Mangue Negro um caso muito particular dentro da atual produção audiovisual brasileira.

As últimas sequências do filme são de perder o fôlego, auxiliadas pela excelente trilha sonora. Lembra um pouco Canibal Holocausto, entre outras produções dos anos 70, ambientadas em um cenário selvagem. O desempenho dos atores está acima da média, com destaque total para o casal de protagonistas e para o ator que interpreta a Preta Velha, André Lobo. Muitas vezes a equipe se deslocou para o interior do mangue onde as águas eram bem profundas, o que exigiu um grande esforço físico dos atores.

Rodrigo Aragão planeja continuar a filmar pequenas histórias sobre sua região. Esse projeto se chamará Fábulas Negras, o mesmo nome da produtora de Mangue Negro.


Mais no: http://revistazingu.blogspot.com/2009/05/edicao-31.html

terça-feira, 19 de maio de 2009

Estão falando do Mangue por aí...
Vamos a compartilhar com vocês um texto súper legal que apareceu no dia 3 de maio/2009, no Caderno 2 do Jornal A Gazeta (ES).


É uma crônica escrita por Bernadette Lyra, curadora da Mostra de cinema de Bordas, acontecida no mês de abril, no Itaú Cultura, em São Paulo, da qual participamos com o "Mangue Negro"






Dois Filmes Capixabas e Uma Mostra de Bordas
(Bernadette Lyra)


Alguns leitores vêm me escrevendo para que eu explique o que é que eu chamo de cinema de bordas. Isso tudo por causa da Mostra que, na semana passada, aconteceu no Itaú Cultural, em São Paulo, da qual eu e Gelson Santana fomos os curadores. Eu explico sim, meus curiosos. É o nome que damos a certos filmes que são feitos de norte a sul do país, por gente que arruma uma câmera e sai por aí, juntando as histórias do lugar onde mora com tudo aquilo que já viu em outros filmes, em histórias em quadrinhos, em novelas de televisão e no que mais lhe vier à cabeça.
Não é preciso ser formado em cinema, nem muito menos ter muito dinheiro para fazer essas produções. Os recursos ficam perto de zero e os atores são os amigos, a sogra, a comadre da sagra, o papagaio, o cachorro, enfim o que passar pela frente e o diretor achar que dá um bom caldo. As histórias sempre são faroeste, kung-fu, aventuras nas selvas, comédias românticas, melodramas, ficção científica, terror e outros gêneros, Tudo alegremente misturado, juntado, remixado, já que esses corajosos e criativos realizadores não têm medo de pilhar e usar de segunda mão os tesouros comuns do cinema. O resultado dá calafrios e faz com que fiquem arrepiados os cabelos daqueles sujeitos que se consideram “os críticos de elite”
Agora, imaginem mostrar um lote desses filmes incríveis que catamos por todo o Brasil no endereço mais cult da Avenida Paulista! Claro que estou toda derretida com o glamour e com a badalação. Mas, o que mais me agradou nisso tudo foi que pudemos exibir os filmes de dois Cineastas capixabas. São eles: Seu Manoelzinho e Rodrigo Aragão.
Seu Manoelzinho é de Mantenópolis, cidadezinha que fica aí mesmo no Noroeste do Estado. De origem muito humilde, foi faxineiro e pedreiro até que descobriu sua paixão maior, que é fazer cinema. Então, pegou uma câmera caindo aos pedaços, juntou os camaradas, inventou umas histórias e desandou a filmar.
Mostramos “O Rico Pobre”, uma comédia chapliniana, mais que deliciosa. Contudo, Seu Manoelzinho já fez outros tantos. Inclusive, “O Homem sem Lei”, um faroeste com um cenário tão maravilhosamente improvisado e teatral que é um autêntico Lars Von Trier naif. Se fosse daquele famoso dinamarquês do “Dogma”, logo muitos “especialistas” estariam dizendo que é uma coisa de gênio!
Rodrigo Aragão mora em Guarapari. Não faz nenhum discurso eco-chato ou acadêmico, no entanto dirigiu “Mangue Negro”, um dos mais contundentes libelos contra a poluição dos nossos manguezais. Fez isso contando uma história arrepiante. São zumbis que, brotando da lama, espalham o medo, a podridão e a morte entre os moradores de um isolado local. “Mangue Negro” é tão belo em seu modo trash se ser e é tão poderoso em seu bonito horror que a platéia da Mostra, feita das mais diversas tribos afeitas ao cinema, saiu siderada depois da exibição.

Confesso que meu coração capixaba deu pulos ao escutar o ritmo do congo, logo na abertura do filme. Por isso, leitores queridos, a par da resposta que vocês me indagaram, eu aproveito e reverencio esses dois cineastas que falam ia!, taruíra e pocou, e têm nosso sotaque.
Ficamos emocionados com essas palavras, pois sempre defendemos a idéia de fazermos terror regional, con a cara do nosso estado, e assim, tá saindo daqui e conquistando outras platéias, como já aconteceu no Brasil a fora, em Buenos Aires, Santiago, Londres e em breve em Montevideo e México...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Mangue Negro na IU










E bem, estamos indicados para o prêmio Omelete Marginal, que é da revista on-line INTERVENÇÕES URBANAS, nessa revista foi públicada uma matéria sobre o Rodrigo Aragão, seu trabalho e o MANGUE NEGRO, e tomamos a liberdade de botar uma parte da matéria aqui, no nosso blog. Para ler tudo é só acessar : http://www.iu.art.br/ e clickar nos trabalhos do colunista Toni Telles.


E é isso... obrigado Toni, por essa matéria!


[...]



MANGUE NEGRO – e o terror invade o manguezal:
















A idéia inicial era de um curta, passou pra um média e virou um longa, MANGUE NEGRO, o primeiro longa metragem de Rodrigo Aragão é um horror-suspense combinado com crítica social em relação à poluição do mangue e à corrupção física e espiritual da própria sociedade, um tapa na cara, e uma revanche contra quem achava que o gênero só poderia produzir violência sem sentido, a estória envolve ainda a questão da miséria e um amor platônico, mais que isso não se pode revelar sob pena de estragar a película, mas posso adiantar, sobra mesmo dentro deste contexto, espaço para muita ação e muito humor negro.



De qualquer forma o filme deve ser catalogado e respeitado historicamente pelo cinema nacional, por exemplo, é o recordista em cenas sangrentas do Brasil até agora, até quando parou-se de contar, já se havia gasto cerca de 700 litros de sangue até a metade das filmagens!


Para realizar esta nova obra prima do medo o diretor convocou um time de amigos e figurantes dispostos a dar o sangue nas filmagens, com direito a muitos ferimentos, hematomas, desmaios e hipotermia, (e olha a galera da Darkover de novo aí gente! Essa é estória pra outra matéria); além destes, reuniu um time de talentosos atores como Walderrama dos Santos, Kika Oliveira, Ricardo Araújo, Marcos Konká, André Lobo, Julio Tigre, Reginaldo Secundo e até este cara de pau que vos escreve. Como o próprio Rodrigo diz, não chamou ninguém que estivesse aquém do trabalho a ser executado, diferente da maioria dos artistas da atualidade, jamais buscou apoiar seus projetos em nenhum incentivo governamental nem em apoiar-se em leis de incentivo à cultura ou patrocinadores, Mangue Negro é literalmente um filme independente talvez um dos únicos do porte no mercado atual brasileiro.

Para tanto não firmou parcerias ou fez concessões o filme é o que é não se verá como na maioria dos filmes brasileiros os logos de governos estaduais, municipais e principalmente, do governo federal, não se comprometeu com ONGs ou associações de nenhum tipo, as pessoas verão por exemplo a exemplar atuação de Ricardo Araújo, como o velho na cadeira de rodas ficou perfeita, pois o artista é realmente paraplégico, mas diferente das ridículas manifestações adotadas pelos entes governamentais visando a dita “inclusão social”, isso não foi nenhum favor como alguns defensores de assistencialismo imbecil promovem, Ricardo foi convocado porque era o melhor para o papel, ele não é um “grande ator paraplégico”, ele é sim, um Grande Ator e ponto final!
Não poderia destacar ninguém, muito coração e alma em cada cena, mas o casal Kika e Walderrama vão fatalmente dar o que falar.

O filme já rendeu antes de sua exibição um documentário chamado de “Sob a Lama do Mangue Negro” elaborado pelo próprio Rodrigo Aragão com a ajuda do também excelente cineasta Maurício Junior (que também atua no filme).


A música tema seria foi feita pela banda capixaba alternativa ORLA SÔNICA mas as gravações ainda não ocorreram em razão de agenda (3 dos 5 integrantes do ORLA pertenciam ao CANNIBAL CLOWN que no momento se prepara pra voltar aos palcos, por isso a atenção com o ORLA SÔNICA foi para segundo plano), isso proporcionou outro bom resultado pro filme, como para gravar a música tema pra o ORLA SÔNICA, o amigo de longa data e Hermano, filho de Herman Pidner, DJ e ex-guitarrista da banda de grindcore FEBRE TIFÓIDE, entrou de cabeça no projeto fazendo boa parte da trilha sonora (30% mais ou menos)com lances eletrônicos e guitarradas, mais que isso, convocou outros músicos que também atuavam no filme e montou uma banda de metalcore com influências de EXTREME NOISE TERROR e BRUJERIA só que cantado em português para tocar no filme que acabou vingando e em breve estarão lançando o primeiro álbum, trata-se do SALMONELLA.

O áudio do filme ficou na mão do gaúcho Luciano Allgayrer, que fez excelente trabalho e a edição ficou por conta do próprio Rodrigo e de Maurício Jr, que também cuidou de detalhes técnicos de animação e de quebra como todo mundo inclusive o próprio diretor, também atua no filme.
Ainda sobre a trilha sonora, Hermano Pidner nãom se limitou ao rock, ao Techno e às músicas com a banda, mas como o ORLA SÔNICA encontrava-se impedido de participar assumiu também os encargos de criar os climas com música regional caiçara capixaba.


O grande destaque vai para os outros 70% da trilha sonora, isso mesmo, 70% da trilha sonora do MANGUE NEGRO foi e executada pela ORQUESTRA SINFÔNICA DO ESPÍRITO SANTO, e a homenagem do filme vai para o falecido maestro Jaceguay Lins.


O makin of e fotografia da produção ficaram a cargo de Maurício Junior, Giovani Coio com a participação de Ulisses de Bian. A parte técnica ficou a cargo do fiel escudeiro de Rodrigo , Vitor Hugo Medeiros e muitos outros que trabalharam, ralaram e deram duro pra colocar a coisa toda pra funcionar.


O diretor Rodrigo Aragão ainda deve trazer muitas surpresas e novos filmes, quando lançou o projeto Fábulas Negras, uma compilação de vídeos dos videomakers de Guarapari e suas produtoras, o título do DVD era “CONTOS DE GUARAPARI”, e trazia 7 curtas, sendo 3 da PESTILENTO FILMES (”Mulher de Algodão”, “Cachorro do Mato”, “Cachorro do Mato 2″), 2 curtas da JAVALI FILMES (”La Puta” e “Balada Sangrenta”) 1 da GÓTICA PRODUÇÕES (”Chupa Cabras”) e mais um curta de Ricardo A., Jr Pizza e Hermano P. (”O Peixe Podre”); talvez o próprio Rodrigo não imaginasse a repercussão que causaria, foi quando resolveu extinguir a GOTICA, e montar sua nova produtora mais bem estruturada, com estúdio, sets de filmagem e equipamento próprio, atualmente é lá que é produzido pela já mencionada dupla Maurício e Hermano, o programa de TV bizarro, o Cultura Nativa.


Agora, com um QG como base de filmagens e as infinitas locações que nosso estado possui, tão infinitas quanto as idéias de Rodrigo, podemos esperar pelas novidades, já que o monstrólogo está apenas começando, e tal como Don Quixote (figura que o facina, posui até uma tatoo do mesmo nas costas) talvez por ser um dos últimos cavaleiros a lutar por um cinema honesto e indie fora dos padrões “globais” ou por viver perseguindo gigantes, que esperamos não serem apenas moinhos.


O Filme seria lançado apenas em 2009 mas devagar a obra vai saindo do controle de seus criadores, já participou recentemente de um festival de cinema no Rio Grande do Sul e salvo engano há algo agendado para Curitiba/PR, concorre atualmente ao prêmio da revista OMELETE MARGINAL em várias categorias (melhor atriz de cinema, melhor ator de cinema, melhor diretor de cinema e melhor filme), no dia 1º de novembro será exibido em Santiago do Chile e em Buenos Aires, Argentina, estará participando do Festival de Cinema ROJO SANGRE, e é o 1º filme brasileiro que consegue se classificar em 9 anos, no dia 11 de novembro o filme estará participando do VITÓRIA CINE VIDEO, no dia 15 de novembro MANGUE NEGRO estará participando da AMOSTRA de VIDEOS FANTÁSTICOS de São Paulo.


E esse aparentemente é só o começo, assistam o filme e bom divertimento!


Eu vou ficando por aqui pois pois tudo tem que acabar, como diz o mote do MANGUE NEGRO, “a decomposição é inevitável”.
***

10 perguntas para um cineasta, antes do filme uma entrevista exclusiva com o mago dos efeitos, senhoras e senhores, com vocês, Rodrigo Aragão.
OM - Você é muito mais que apenas diretor, é um artista plástico completo, você pretende continuar atuando em outras áreas fora o cinema, ou seja pretende produzir obras de pintura, escultura e outras e promover suas respectivas exposições?


Cada tipo de arte é um prazer diferente, gosto de varias delas, mas o cinema é minha preferida.


OM - Quais são seus diretores preferidos e que mais te influenciaram no cinema?


Meus heróis são os americanos Sam Raimi (Evil Dead), Steven Spielberg de (Tubarão), e George Lucas (Star Wars); o neozelandês Peter Jackson (Fome Animal), o italiano Lucio Fulci (Zombie); e o pouco conhecido diretor espanhol Armando Osório (Ataque de los muertos sin ojos).


OM - Você sempre esteve meio envolvido com o meio musical, conte pros leitores da undervix, quais as 3 bandas capixabas que você mais curte, quais as 3 bandas nacionais(não valem bandas locais) que você mais curte, quais as 3 bandas gringas que você mais gosta e qual a sua banda predileta, quer dizer, a sua banda do coração mesmo?


Bandas Capixabas: gosto de varias por isto vou citar as bandas dos meus amigos: Salmonella daqui de Perocão, todos os integrantes passaram pelo Mangue; Cannibal Clown, do Toni, que faz um repugnante atravessador de caranguejos; e Índios do ano 7000, que tem o herói do Mangue Walderrama dos Santos como baterista.


Bandas Brasileiras: Gosto de um monte de coisas: Sepultura, Ultraje a Rigor e Camisa de Vênus.


Bandas Gringas: Gosto de Rammstein, Korn e Marilyn Manson.


E para a banda predileta, tenho que admitir que a coisa que mais gosto de ouvir, mesmo fugindo um pouco da pergunta, é Raul Seixas, que não é uma banda, mas é a coisa que eu mais escuto, a cara do rock brasileiro.


OM - Valeu por elaborar um top 10 musical pra nós, e como está indo a promoção e divulgação do filme, local, nacional e internacionalmente?


O filme será exibido em vários festivais nos próximos meses, em novembro no “Buenos Aires Rojo Sangre” e no “Santiago Rojo sangre”, onde estará concorrendo com longas de todo o mundo. O 15°vitória cine vídeo onde fará sua primeira exibição no estado. E na 3° mostra de curtas fantásticos de São Paulo.

OM - Já há algum novo projeto em andamento?


A série “Fabulas negras” que apresentará contos com vinte e cinco minutos de duração no mesmo universo que o mangue negro, personagens e lendas no interior do Brasil antigo e desprovido de tecnologias, claro que tudo com muito sangue e víceras.


OM - Fale um pouco sobre seus planos futuros.


Montar um núcleo de produção na aldeia de pescadores de Perocão, promover cursos de efeitos especiais, cenografia e atores, para assim descobrir novos talentos e agrupá-los a minha equipe.


OM - Seu trabalho como artista de efeitos especias e maquiagem tem um padrão internacional que o mercado interno parece não absorver, já pensou em chutar o pau da barraca, dar as costas pra tudo aqui e ir tentar a sorte lá fora?


Adoro o lugar onde vivo, não tenho a menor intenção de sair daqui, quero continuar filmando aqui. Estamos criando nosso próprio mercado.


OM - Você acabou por revelar novos e excelentes artistas, pretende manter o elenco com quem tem trabalhado ou sempre há oportunidade para novos talentos?


As duas coisas!


OM - Alguém em especial que você gostaria de agradecer sem o qual o filme não se realizaria?


Muitas pessoas, por isto seria injusto citar uma. Mas dedico o filme a o meu grande amigo Jaceguay Lins, que faleceu a alguns anos, mas deixou incrível, obra esta que tornou a trilha sonora do mangue negro única e memorável.


OM - Obrigado pela entrevista, o espaço é seu para se manifestar e falar aos internautas, go!


Não esqueçam de votar na gente no Prêmio Omelete Marginal! Assitam o Mangue negro! Dia 11 de novembro no vitória cine vídeo e em breve nas locadoras! Entrem no site http://www.manguenegro.com/
Abraço a todos
muito obrigado.
***

domingo, 14 de setembro de 2008

Eu, zumbi



Quem acha que vida de zumbi é só andar por aí atrás de carne fresca, está muito enganado...


Eu, Zumbi é um texto de Giovanni Coio, amigo e colaborador da equipe do Mangue Negro. Nessa crónica ele nos conta como é a vida de um zumbi no mangue...



Eu, Zumbi
por Giovanni Coio, um dia de filmagem para o Mangue Negro.



Chegue cedo.
Esteja preparado.

Oito horas da manhã, um lindo dia de sol, temperatura amena, sábado.
Todos se divertem. Uns na praia, uns nos bares, uns em casa.
Saio de casa levando uma calça, camisa, sapatos, que não precise mais. Tudo velho, como solicitado.

Moro a menos de quinhentos meros da casa de R. Ele havia me convidado para ser participante de um dia de filmagem de seu novo filme. Eu já conhecia o projeto e tinha visto as primeiras tomadas. Claro que topei, - vai ser legal.

Do lado de fora do ateliê de R. numa área coberta, juntei-me à equipe que iria trabalhar na cena daquele dia. Eram maquiadores, formados por R. para preparar os Zumbis, mais os assistentes que davam apoio para a parte de figurino, rango, água. Duas câmeras, Mauricio (Pizza) e Thiago.

Em um semi-círculo de cadeiras, várias pessoas eram preparadas, sentadas, recebiam as primeiras camadas de verniz, como uma linha de produção, eram dezesseis Zumbis. Sentei-me numa cadeira e também recebi verniz na cara e nas mãos. Duas, três, quatro, cinco mãos tocam meu rosto, pescoço e mãos. Minha pele começou a repuxar, os olhos a arder, as narinas sendo invadidas pelo cheiro ácido. É um processo lento, constrói-se camada em cima de camada. Tem que ser convincente. E tem que resistir ao Mangue. Aplicam látex, silicone, trapos. Ali, na cadeira, imóvel, olhos fechados, ouço o burburinho do trabalho que não para.

Pausa para respirar. Cola isso, põe aquilo. Próteses preparadas por R. são habilmente utilizadas para produzir personagens horrendos, assustadores, asquerosos.

Passam-se quatro horas. Uma tortura. Na mesma posição, não pode mexer, não pode respirar, nem pensar.

Após estarmos prontos, fomos para um espaço desenvolver algumas caracterizações de comportamento zumbizístico. Como arrastar a pernas, como andar para um lado olhando para outro, como fazer sons de Zumbi. Como atacar em bando, como revirar os olhos. Em pouco tempo formávamos uma roda tenebrosa, estava muito bom, lindamente podres.

O lanche. Arroz de carreteiro feito por Dona Dalva (mãe de R.).

Todos alimentados, para o Mangue, nosso cenário. Fica perto, menos de um quilômetro, subindo na direção contrária à do mar. O material "material" vai de carro. Fios, lâmpadas, maquiagem, uns baldes de gosma, de sangue... rebatedores, água, mais rango ( a coisa vai demorar ). O material "humano", nós Zumbis e outros assistentes, vai a pé. Uma procissão como essa causaria espanto em qualquer lugar do mundo. Até aqui. Atraiu olhares curiosos e assustados por onde passamos.

- O que é isso? perguntavam.

Mangue, lindo Mangue.

No final da estrada que acompanha o Rio Perocão, junto ao Mangue, tivemos acolhida numa casa, onde havia um ancoradouro que consertava barcos, que nos propiciava acesso ao local desejado.
Nas entranhas.

Finalmente soubemos de que se tratavam os estranhos baldes cheios de coisas, fomos cobertos por gosma, muita gosma, para ficarmos com a bela aparência de Zumbis do Mangue. Recém-feita, estava quentinha, dava certo conforto, cobertos por uma camada de polvilho cozido.???

Devidamente caracterizados, fomos entrando Mangue adentro, atolando o pé na lama, tropeçando em galhos submersos, subindo pelas raízes.

A cena se desenvolve durante a fuga de Júlio (O personagem deve ser devorado hoje) , devemos ataca-lo quando passar por nós.

Mergulhamos na água fria, escura. Para algumas tomadas, um a um, fomos saindo calmamente de dentro d’agua, filmados em close, depois, várias seqüências de perseguição, pulando por galhos, metade do corpo mergulhado, aquela gosma esfriando, a fome chegando, o corpo já doendo de cansaço, frio, já estávamos naquele ambiente há cinco horas. E era um tal de "mais uma, só para garantir", "agora mais um mergulho, vamos".

O céu, escurecendo, o sol, indo para trás das montanhas. A luz esvaia-se deixando as trevas aos poucos dominar tudo, quando ouvimos um "conseguimos a terminamos a cena". Viva!!
Nessa água começamos a nos limpar. Muito difícil, conseguimos tirar apenas a parte mais exterior, a lama dos sapatos, dos cabelos, das roupas, alguma parte da gosma.

Como moro perto, fui para casa de bicicleta, cheguei e fui logo para o chuveiro, fiquei mais de meia hora esfregando com um monte de coisas, saí, sequei-me e passei então a limpar parte da maquiagem mais forte com algodão embebido em óleo de amêndoas.

O resto da maquiagem foi saindo aos poucos, nos travesseiros, lençóis, após uns dias, praticamente não havia mais nada. Nem de maquiagem nem de mim. Não agüentei o tranco e fiquei de cama, a coluna doía como nunca.

Foi quando decidimos que eu não poderia mais fazer aquilo, a "vida" de zumbi é muito dura para mim, então, me tornei o fotógrafo escondido da produção.


Rodrigo filmando na pedra.
Foto de Giovanni Coio