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terça-feira, 7 de agosto de 2012

O gore nos visitou


Oi Gente!

Por favor, desculpem a ausência prolongada!

Finalmente conseguimos voltar (vivos, porém, definitivamente transformados) do set de filmagem Mar Negro. Com muitas histórias para contar, miscelânea de emoções à administrar e as imagens atestando que, outra vez, a sorte nos beijou a face: o Segundo Bloco de filmagem, nosso terceiro longa metragem, quando encerramos a trilogia eco-terror de Rodrigo Aragão foi um sucesso. Extraordinariamente lindo! O gore nos visitou novamente e maculou as paredes com sangue, os lençóis de vísceras, os olhos expressaram o medo, no chão poças de gosma negra e o grito explodiu na garganta.

Markus Konká mais uma vez arrasando


Ali no aconchego do set sentimos a paz. Dádiva ofertada a todo aquele que ama o próprio trabalho, todo aquele que tem confiança nas escolhas, a certeza de que não há outro lugar para estar senão banhados nas águas turbulentas do Terror Tupiniquim. E por mais este feito, orgulho de dever cumprido, se estampou no rosto o sorriso, sonorizou na gargalhada e venceu a dificuldade. Muda proclamação se fez ouvir nas entranhas dos homens, mulheres e crianças que lá estiveram conosco: Fábulas Negras está feliz! E agradecemos muito a colaboração apaixonada da Melhor Equipe de Produção que Há! Afinal, só foi possível a partir do desejo de cada um pela realização de mais um filme de zumbi.

Muito obrigada!

Markus Konká e o pequeno Diego Fernandes saúdam o gore


Principalmente às crianças – Carol e Diego. Que nos surpreenderem pela maturidade num ambiente tão intimidador com câmeras, microfones, ações, diálogos, lágrimas, dor, ataque, platéia, atmosfera, movimentação e morte. Maravilhoso! Tudo isso na presença Grande do Diretor pedindo, “ação... Corta... Luz aqui... Cuidado com o boom... Olha o foco... Você pode fazer melhor Diego... Parabéns Diego... Menos Carol... Você conseguiu minha filha (filho de peixe...)... Tá lindo!” Nós assistimos estupefatos ao reconhecermos o talento. Vocês nasceram para isso crianças: emocionar! Estamos convencidos de que aquele núcleo é de fato uma família.

Carol Aragão, Diego Fernandes, Kika Oliveira e Markus Konká representando a família do pescador Peroá


A contribuição do ator, MarkusKonká, com a tranqüilidade de quem sabe o que está fazendo direcionou o elenco para os braços da verdade. Enxergados o pai, nos apaixonamos pela mãe e torcemos pelas crianças quando em, Mar Negro:

Indiara, mulher insinuante, espera o marido voltar do mar, o pescador Peroá, enquanto os filhos, Clara e Paulinho brincam no quarto. Peroá carrega nos ombros o peso da morte personificado na rede de pesca que foi contaminada pelo mostro Baiacu-Sereia (Primeiro Bloco). 

Este pai traz no sangue, percorrendo as veias, sujando a alma, infeccionando o lar, a mancha negra que transforma a vida marinha e a comunidade em mortos-vivos. De dentro para fora, a gosma purulenta vai jorrando, escorre faminta, encontra a inocência de Paulinho, e ali pousa, sem descanso até que a criança seja levada para o outro mundo.

Diego Fernandes e a tranquilidade de um artista nato

Carol Aragão fez do Monstrólogo o pai mais orgulhoso do mundo


Continua...

Do set, Walderrama e eu seguimos direto para a quarta edição do Cinema de Bordas – Itaú Cultural, curadoria de Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa

Em São Paulo nossa acolhida foi especial, as relações se emaranham no afeto, respeito, admiração, e agora, saudade. Trouxe na mala e na memória preciosos presentes, entrevista no Programa Jogo de Ideias com as Musas do Cinema de Bordas (Bernadette Lyra, Dona Oldina, Mariana Zani, Gisele Ferran e Kika Oliveira); Cinema de Bordas; Gisele Ferran, Espantomania, Joel Caetano, Mariana Zani (valeu galera!). Também conquistei novos amigos, outros lugares, algumas chances, o desejo de voltar e de novo senti aquela certeza: nós vamos conseguir!

Amo-te São Paulo!
Muito obrigada a todos, a Você, especialmente!

Kika

Com licença que Indiara vai passar...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Reunião Equipe Mar Negro


Oi gente!

O grande momento se aproxima e vem à galope! Faltam 12 dias para começarmos as filmagens de Mar Negro. Esta semana fizemos uma reunião com nossa equipe técnica. Conversamos sobre os desafios finais de cada parte que compõe o todo: Direção, Roteiro, Fotografia, Som, Cenografia, Arte, Figurino, Efeitos Especiais e Produção.  Ao fim do encontro – sorrisos, ansiedade e congratulações por mais um longa.

Longa metragem, de terror, baixo orçamento, produzido por um bando de loucos que apostam todas as fichas num sonho: filmes que consigam se pagar, e mais, dinheiro no caixa para o próximo filme. Porque acreditamos que no futuro seja possível desenvolver um cinema auto sustentável! O caminho é longo, as apostas são altas e ninguém assinou o Termo de Garantia... Mas o que seria o mundo sem os loucos?!

Reunião com equipe técnica de Mar Negro


Outro dia, um amigo muito querido nos lembrou que o mundo é divido em grupos: pessoas que falam e fazem mesmo; outras que não fazem, porém, ainda conseguem incentivar quem faz e aquelas que não fazem nada e só falam mal dos que fazem! Falar (bem ou mal) até que é fácil... Agora, fazer mesmo, é outra história. Um pouquinho mais complicada.

Então aproveitando a oportunidade, parabenizamos os capixabas que sempre falaram em fazer o Workshop Maquiagem de Efeitos Especiais de Rodrigo Aragão (Fábulas Negras ofereceu gratuitamente) e ontem fizeram mesmo. O Diretor premiou todos com uma participação especial, que pode ser atrás ou à frente das lentes de Mar Negro. As pessoas que só falam mas não fazem nada, bem, vocês perderam outra chance.

A chance de trabalhar com o grupo que vem se estabelecendo como referência no gênero terror. Além de figurantes para a concentração de zumbis, também buscávamos o (s) assistente (s) de maquiagem. Porque temos a Festa dos Pescadores, sequência ultra gore, e precisamos de mais loucos para fazer conosco outro filme.

Workshop Maquiagem de Efeitos Especiais de Rodrigo Aragão


Mas em compensação, presenciamos uma cena maravilhosa no cinema da nossa cidade, Guarapari/ES. Um final de semana, com expectadores que pagaram pelo ingresso e assistiram aos curtas metragens de três grupos de produção independente, ABES Filmes com Fora da Lei; Proxi Filmes com Operação Mibra e Pestilentos Filmes com Linguinha The Killer.

Parabéns meninos! Vocês merecem muitos aplausos! Tanto pela realização dos vídeos como também pela iniciativa de exibição alternativa. É isso ae... De um jeito ou de outro o Cinema de Bordas sempre encontra o seu próprio caminho!

O realizador de Linguinha The Killer, Maurício Júnior, locou a sala de cinema em Guarapari 


Muito obrigada pelo carinho de todos e até semana que vem.
Kika

P.S.

Fábulas Negras se despede com pesar do amigo, Jorge Timm, que partiu e deixou mais triste o Cinema Independente Brasileiro.





Petter Baiestorf, Jorge Timm e Cesar Coffin Souza, militantes do cinema independente da Canibal Filmes
        


               

segunda-feira, 26 de março de 2012

Registros de Mar Negro


Oi gente!

Segunda-feira no blog acompanhada de Vocês! O melhor jeito de iniciar a semana de trabalho com aquele gostinho de começar pela sobremesa.

E hoje o cardápio é especial: Mar Negro! Já faz um tempinho que não conversamos sobre a produção do nosso terceiro longa metragem, que, sorrateiramente tomou gosto pela tal ‘liberdade artística’ e se transformou no Terrível Monstro Que Extrapolou O Orçamento. Eis que, rapidamente a mão que segura a caneta (no caso, Rodrigo) fez o trabalho sofrido: diminuiu a escala e convenceu o filme voltar para dentro do bolso, Baixo Orçamento, com a seguinte promessa: um dia meu filho...

Concept do talentoso Eduardo Cardenas
 Enquanto isso, a máquina está em pleno vapor. Fechamos o primeiro trimestre de 2012 abraçados com o espírito empreendedor. Ajustando alguns detalhes de temperatura, a estufa cresceu em capacidade e qualidade. Trabalhamos com o melhor que o mercado oferece − espuma de látex; temos um diferencial, a insanidade do Monstrólogo (ameaçamos com morte cruel quem ousar roubá-lo de nós) e o carinho do público é a combinação mágica da Maquiagem de Efeitos Especiais – Fábulas Negras.

Tudo bem, sabemos que o terror não se sustenta apenas de imaginação e sangue (gosma, vísceras e afins), ao menos quando abordamos o gênero no maquinismo do cinema. Daí vamos comprar novos aparelhos de fotografia e som para melhorar o filme tecnicamente. Além de conquistarmos autonomia de equipamento, alcançamos um nível técnico mais profissional que facilitará o percurso de exibição e comercialização que ainda não conseguimos com Mangue Negro e A Noite do Chupacabras.

Rodrigo Aragão e Ulisses Debian analisando o rendimento da estufa
Ao considerarmos o contexto e processo de realização, discussões do Cinema de Bordas, imprimimos outros valores à produção de baixo orçamento. Hoje Mar Negro tem o custo de duzentos mil reais, para os padrões de Perocão é bastante dinheiro (apenas um milhão a menos daquilo que a Ancine chama de “baixo orçamento”) Toxo! Dá pra fazer uma poça de sangue tão grande, que dependendo do ângulo, poderíamos convencer qualquer gringo que é o mar de uma fantástica aldeia de pescadores.

Porém, o Mar em questão é Negro. Igual mancha de petróleo que há anos assistimos contaminar e alterar a vida marinha, e por conseqüência, as comunidades que sobrevivem da pesca − mote do filme. A ideia de ambientar o terceiro longa no mar é antiga, mas o tema (vazamento de petróleo) é assustadoramente atual, e pior, cada vez mais recorrente, em proporções que faz a gente sentir medo, não da fantasia e sim da realidade, do nosso futuro pessimista. 

E para abordar assunto de interesse universal, escolhemos um método nada ortodoxo (do ponto de vista comercial) ao compartilhar alguns preciosos segredos de produção. Vamos mostrar as etapas de criação desde o desenho até o monstro finalizado. No álbum, “Pré-Produção”, temos os maravilhosos concepts do Eduardo Cardenas (ele já foi apresentado aqui no blog, ver postagens anteriores) em “Efeitos Especiais”, compreendemos como as criaturas deixam o papel e ganham o plano físico na oficina.   

Rodrigo Aragão preparando o rosto do Baiacu-Sereia para tirar molde, primeiro a parte de trás, depois a frente  
Tudo isso porque somos fãs de terror e gostamos de saber todos os detalhes do inicio ao fim de cada sessão, logo, dividimos o passo a passo com Vocês! Mesmo que seja de forma contraria ao pensamento corrente. Não se preocupem, ser diferente é uma qualidade! Semana que vem falaremos sobre roteiro e alguns personagens. Então, vamos participar juntos dessa nova aventura?!    

Muito obrigada pelo carinho de todos!

   


                 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sexta-Feira 13 na Fábulas Negras

Oi gente!
Uma das coisas que mais gosto de marcar na agenda, calendário, porta de geladeira e afins, é o dia de hoje Sexta-Feira 13. Não por coincidência escolhi a data para retomar as postagens do nosso blog. Penso que seja o melhor presságio para nós, Fábulas Negras, combina né?!
Então, meu nome é Kika, algumas pessoas me chamam de Raquel, outras de, “Musa do Cinema de Bordas” (título que ganhei junto com minhas colegas, Mariana Zani e Gisele Ferran, em 2011 na 3ª edição da mostra Cinema de Bordas Itaú Cultural/SP). Eu sou a sócia do Rodrigo Aragão, produtora da Fábulas e atriz, pra quem tiver coragem de contratar uma vez Musa, agora, sou Musa até morrer! Mamãe sempre disse que modéstia é a minha qualidade!
Dona Nieta é a minha personagem no Museu dos Monstros, nossa exposição temática

A idéia é postar novidades e notícias da Fábulas toda sexta-feira. E pra começar, muito bem começado mesmo, vamos falar sobre a edição em DVD do nosso novo filme, A noite do chupacabras (2011), oxalá... Por conta do descaso da distribuição oficial com o Terror Tupiniquim, o DVD Mangue Negro (2008) sofre bastante com isso, decidimos experimentar novos contatos e fazeres.
Assim, passamos o ano de 2011 (finalização e lançamento do filme) tentando distribuição com algumas empresas do ramo. Ufa, uma penitência. Tentamos de tudo, até urucubaca. Por fim, um renovador banho de sal grosso nas águas de Perocão e decidimos fazer todo o trabalho por nossa conta e risco. É a primeira vez que assumimos, sozinhos, esse tipo de empreitada. Aprendemos e podemos compartilhar o conhecimento. Na ocasião do lançamento falaremos mais sobre o assunto. Desde já, aviso aos queridos leitores que contamos com o apoio de todos vocês. Vida de independente é assim.
Adrián García Boglian e Rodrigo Aragão fazendo pose no Mórbido Film Fest / México 

Esta semana fizemos algumas produtivas reuniões sobre o nosso próximo filme, quando fechamos uma fantástica trilogia ambientada no quintal da nossa casa: mangue, montanhas e, por último, mar. É verdade... Não vamos mentir: gostamos MUITO do nosso ofício, fazer cinema. Eita vidão... Só pra abrir o apetite, vai um desenho de um dos nossos talentosos colaboradores, Eduardo Cardenas, de Aracaju. Calma... Calma que vêm outros tantos por ae.   


concept de um dos monstros de Mar Negro

Mar Negro está se materializando no roteiro, nos desenhos, nas pesquisas, nas conversas (muitas na mesa do bar) e hoje, neste dia tão simbólico, enxergamos a carinha Dele, O Nosso Novo Filme. O processo é coletivo, mas a culpa toda é do Rodrigo, o Monstrólogo. Caso ele gostasse de romance, seríamos uma linda produtora de filmes de amor; porém, o rapaz careca gosta mesmo é de terror.
Até semana que vem galera!
Gostei dessa brincadeira, já estou sentindo saudades!

Kika

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cinema de Bordas



Nos preparando mais uma vez para participar da Mostra de Cinema de Bordas no Itaú Cultural, com Curadoria de Bernadette Lyra, Laura Cánepa e Gelson Santana.

É sempre uma honra ser lembrados e convidados neste evento!... Desta vez, sem um curta para exibir, nem um longa (pois ainda não ficou pronto)... mas... fomos convidados, e temos o dever de mostrar alguma coisa, não é?

Então, este ano exibiremos 10 minutos do que será um filme de 90. Estes dez minutos de "A Noite do Chupacabras" passarão em primeiríssima mão, na abertura do festival, no dia 19 de abril, às 20 hs., no mesmo dia em que Joel Caetano (o nosso herói Douglas Silva) exibirá pela primeira vez ao público o novo curta da Recurso Zero Produções: "Estranha" (veja o teaser), que conta com a belíssima Mariana Zani no elenco, além dos nossos próprios mocinhos bordeiros, Kika Oliveira e Walderrama dos Santos (Mangue Negro). Também no evento, no dia 21, "O Doce Avanço da Faca" (confira matéria), de Petter Baiestorf (Canibal Filmes), quem interpretou o vilão mais vilão do cinema brasileiro: Ivan Carvalho.

A programação completa, você confere aqui

terça-feira, 19 de maio de 2009

Estão falando do Mangue por aí...
Vamos a compartilhar com vocês um texto súper legal que apareceu no dia 3 de maio/2009, no Caderno 2 do Jornal A Gazeta (ES).


É uma crônica escrita por Bernadette Lyra, curadora da Mostra de cinema de Bordas, acontecida no mês de abril, no Itaú Cultura, em São Paulo, da qual participamos com o "Mangue Negro"






Dois Filmes Capixabas e Uma Mostra de Bordas
(Bernadette Lyra)


Alguns leitores vêm me escrevendo para que eu explique o que é que eu chamo de cinema de bordas. Isso tudo por causa da Mostra que, na semana passada, aconteceu no Itaú Cultural, em São Paulo, da qual eu e Gelson Santana fomos os curadores. Eu explico sim, meus curiosos. É o nome que damos a certos filmes que são feitos de norte a sul do país, por gente que arruma uma câmera e sai por aí, juntando as histórias do lugar onde mora com tudo aquilo que já viu em outros filmes, em histórias em quadrinhos, em novelas de televisão e no que mais lhe vier à cabeça.
Não é preciso ser formado em cinema, nem muito menos ter muito dinheiro para fazer essas produções. Os recursos ficam perto de zero e os atores são os amigos, a sogra, a comadre da sagra, o papagaio, o cachorro, enfim o que passar pela frente e o diretor achar que dá um bom caldo. As histórias sempre são faroeste, kung-fu, aventuras nas selvas, comédias românticas, melodramas, ficção científica, terror e outros gêneros, Tudo alegremente misturado, juntado, remixado, já que esses corajosos e criativos realizadores não têm medo de pilhar e usar de segunda mão os tesouros comuns do cinema. O resultado dá calafrios e faz com que fiquem arrepiados os cabelos daqueles sujeitos que se consideram “os críticos de elite”
Agora, imaginem mostrar um lote desses filmes incríveis que catamos por todo o Brasil no endereço mais cult da Avenida Paulista! Claro que estou toda derretida com o glamour e com a badalação. Mas, o que mais me agradou nisso tudo foi que pudemos exibir os filmes de dois Cineastas capixabas. São eles: Seu Manoelzinho e Rodrigo Aragão.
Seu Manoelzinho é de Mantenópolis, cidadezinha que fica aí mesmo no Noroeste do Estado. De origem muito humilde, foi faxineiro e pedreiro até que descobriu sua paixão maior, que é fazer cinema. Então, pegou uma câmera caindo aos pedaços, juntou os camaradas, inventou umas histórias e desandou a filmar.
Mostramos “O Rico Pobre”, uma comédia chapliniana, mais que deliciosa. Contudo, Seu Manoelzinho já fez outros tantos. Inclusive, “O Homem sem Lei”, um faroeste com um cenário tão maravilhosamente improvisado e teatral que é um autêntico Lars Von Trier naif. Se fosse daquele famoso dinamarquês do “Dogma”, logo muitos “especialistas” estariam dizendo que é uma coisa de gênio!
Rodrigo Aragão mora em Guarapari. Não faz nenhum discurso eco-chato ou acadêmico, no entanto dirigiu “Mangue Negro”, um dos mais contundentes libelos contra a poluição dos nossos manguezais. Fez isso contando uma história arrepiante. São zumbis que, brotando da lama, espalham o medo, a podridão e a morte entre os moradores de um isolado local. “Mangue Negro” é tão belo em seu modo trash se ser e é tão poderoso em seu bonito horror que a platéia da Mostra, feita das mais diversas tribos afeitas ao cinema, saiu siderada depois da exibição.

Confesso que meu coração capixaba deu pulos ao escutar o ritmo do congo, logo na abertura do filme. Por isso, leitores queridos, a par da resposta que vocês me indagaram, eu aproveito e reverencio esses dois cineastas que falam ia!, taruíra e pocou, e têm nosso sotaque.
Ficamos emocionados com essas palavras, pois sempre defendemos a idéia de fazermos terror regional, con a cara do nosso estado, e assim, tá saindo daqui e conquistando outras platéias, como já aconteceu no Brasil a fora, em Buenos Aires, Santiago, Londres e em breve em Montevideo e México...